quarta-feira, 25 de agosto de 2010

de minha inóspita alma

minha alma...
gosto assim,
quando arde.
de vê-la com fome,
de tê-la com sede,
quando busco,
quando devoro,
quando engulo...
aí percebo.
o exato momento;
que ela cresce,
que ela estica,
que ela expande.
o momento exato
que ela é maior,
que meu corpo,
me leva longe,
muito longe,
além do tempo,
do espaço,
indo, me leva,
e me deixa
perdido
onde começa
um inóspito horizonte.

by mauricio backer spinelli

terça-feira, 20 de julho de 2010

não sei mais nada



despretenciosamente,
sem falsas promessas,
sem vontades controversas,
chegaste, cheguei.
só eu sei.

desacostumadamente,
de olhos que penetram n´alma.
de beijos que queimam,
eu já nem queria
fugia, corria, tu sabes!

assustadoramente,
ladrão, roubaste meu tempo!
levaste meu ar, meu instante
sigo, submerso, em tí.
só tu sabes.

descompassadamente
sinto sede, da tua boca.
o sol queima, o coração crú,
latente, sangrando, vivo...
eu sinto, eu sei.

arrebatadamente
sei do tempo que fugi, do tempo que me vi,
contigo, capturado.
deitado. sabemos?
me entrego.

maurício backer spinelli - com o coração indubtavelmente pulsante!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

.joão marcello, o pequeno príncipe.

                                                
   algumas pessoas poderiam dizer que viestes sem ser esperado.
planejado é a palavra de ordem deste momento, aqui fora, no mundo.
eu particularmente não concordo, eu te esperei, de outras vezes,
em outros sustos, esperei que viesse exatamente de tua mãe, você.
vens querido, amado, novamente insisto em dizer, esperado.

"e eu que já amava o barulho do vento no trigo, 
e ouvia por vezes sorrisos e guisos em meio as estrelas"

vens príncipe, dos menores que existe, de um reino que será só teu,
cheio de rosas, vulcões, baobás e gansos encandecentes que rasgam o céu.
é, vens pequeno. pra que possamos ter a honra de te colocar nos braços,
de pensar, por alguns momentos, que és nosso, que poderemos guarda-lo.
a rapousa anda inquieta, a tua espera, todos do reino se preparam.

"eu que corria pelas tarde com a rapousa no meio das rosas,
que me deixei ser cativado pelo carneiro dentro da caixa..."

vens joão, o melhor amigo do filho do homem, o melhor amigo que já conheci.
vens marcello, assim, como quem vem de marte, principe de outros mundos
e com "double l", pra não fugir, a regra de se dobrar o nome na família.
vens spinelli, assim como o héroi da literatura cavaleiresca medieval.
vens principe, pequeno, pra aprender, crescer. e assim virar rei.

"eu que procurei, em todas as galáxias a redoma perfeita,
e que fugi da serpente pro meio do oasis."

já te sabia menino, já te sabia principe, e tua mãe me fez sabê-lo afilhado!
tua mãe, te gesta no ventre, que cresce, que estica, que te alimenta e acomoda.
eu, teu tio, com o coração gestante, te espero aqui fora, no meio do trigaral.
alguns dirão que vens em meio ao caos, desse mundo em inconstante transformação.
e eu te direi, baixinho sem que ninguem saiba, que o mundo nasceu do caos.

"eu que limpei vulcões e podei os baobás, 
embarquei nessas jornada, montado num cometa, pra conhecer os mistérios do mundo...!

vens filho de pipa e filho de tony, és um legítimo exemplar da nova sociedade em que vivemos, 
onde a tribo cuida da nova cria, mas te garanto meu filho, que de novo isso não tem nada.
vens pernambucano, paraíbano, nordestino, cabra da peste com o sol na moleira.
vens raçudo, brasileiro, de souza, de recife, e cheio de sonhos, vens pro mundo.
vens criança, indefesa, inocente, assim, pra alimentar nossos corações de que a vida continua.


maurício backer spinelli - a espera de joão marcello spinelli, filho de Pipa!

domingo, 9 de maio de 2010

.de mim assim, me achando, pra me perder de mim.


assim, sem tirar, nem por, sou tudo isso sim! com todos os sorrisos e lágrimas, com todos os escancaros e resguardos, com todas as tentativas e fracassos, com todos os sonhos e realizações, com todas as conquistas e cada uma das perdas, perdi pedaços pelo caminho, perdi o caminho, perdi a vergonha, perdi a chave de casa, perdi a casa.
minha alma reside num lugar além de minhas compreensões, quando durmo, ela resolve fugir de mim e correr livre por todos os cantos, ela voa alto, pra longe, pra sempre, e me deixa, caído, desfalecido, completamente sem sentidos, em alguns momentos, ela resolve voar e carregar-me junto, voamos por entre as flores azuis, pelo meio do trigaral, contornamos estrelas e deixamos o peso do mundo submerso nos anseios daqueles que de longe ainda conseguem ver os rastro da poeira cósmica que deixamos na atmosfera.
em alguns dias, corro e fujo dela, entrego-me aos prazeres todos do mundo, a cada um de seus desejos e detalhes sórdidos, não me permito fechar os olhos, quero-a presa, voando dentro de mim mesmo, esbarrando em todos os meus muros, gritando com todos os meus brios, me quero assim, vivo, ardendo, queimando, encandescendo, triscando em almas, comendo os corpos, somando e diminuindo, tirando e devolvendo ao mundo, abraçando árvores e sentindo meu corpo se misturar a suas velhas cascas, ficar descalço e enfiar o pé na lama, nu debaixo da chuva, esperando o exato momento que o portal pra terra do nunca se abra novamente.
tudo o que eu fui, mora mais dentro do meu peito do que tudo que sou, o que eu ainda serei se abestalha com o passar dos dias sem ter a menor noção do "time" de entrada nessa história escrita por '"seilaquem". eu quero tudo, cada gole, cada pedaço, cada consequência, cada gemido, de prazer ou de dor, quero todas as gotas, de orvalho, de lágrimas, de sangue, de colírio, de veneno, quero os espinhos, agarrá-los com as mãos, furar neles, meus dedos, e poder enxergar depois a beleza da rosa, efêmera, soberba e inútil.
gosto de me despir, de deixar-me ser visto, por vezes escondo algumas coisas, acho-as feias demais para serem vistas, e em algum momento foi determinado que só o belo poderia ser visto, e logo, antes que ele padeça. por que nada permanece inerte, congelado, imutável, condenado ao lamento da mesmice "do pra sempre assim", a vida é esse turbilhão, esse jorro amontoado de atropelos e acontecimentos que rasga a gente de dentro pra fora, e nos faz viver morrendo um pouco a cada dia.
maurício backer spinelli. completando mais um ciclo cronológico que o tempo nos impõe!

domingo, 25 de abril de 2010

.da inevitável partida.


que seja rápido, que não haja tempo pra despedidas, tristezas ou lamentos.
que em meu peito eu não carregue mágoas, 
que eu leve apenas a certeza leve de que fiz tudo o que podia.
que eu vá acompanhado de sorrisos, perdões, sonos de crianças, pés na areia da praia, 
cheiro de chuva no fim da tarde, lambida de cachorro na cara,
galopar de cavalos cortando o vento e do sorriso dos meus sobrinhos!
que as flores não sejam arrancadas de lugar algum, prefiro-as vivas!
que ninguem queira aliviar sua culpa, sua ausência e suas faltas, 
com flores mortas ou palavras vazias aos meus pés.
que os amigos que mais me amam, cuidem de minha mãe, abracem-na, dêem colo, 
e me mantenham vivo estando ao seu lado.
que os que amei tenham a certeza de como valeu a pena minha passagem por esse planeta, 
de como fui feliz mesmo com todos os espinhos, e  com o peso da cruz.
que algum amigo compositor, me faça um samba e um frevo, 
pra que eternizem o meu amor e o meu trabalho.
que o cair da tarde, traga sempre a saudade do meu colo e do meu afago... 
que o nascer do dia, com o sol rasgando céu azul traga uma incrível vontade 
de tomar todas à beira da praia ouvindo los hermanos e maria rita!
que fique certo, que cabe a vivy toda a responsabilidade por meus objetos pessoais, 
que tudo seja dado, que nenhuma roupa fique guardada, 
nenhum lençol, toalha, sapato ou agasalho, 
e que meus amigos possam guardar algo que seja últil,
como Cd, filme, ou algo de minhas coleções!
não achem que minha luta foi em vão, nem minhas decisões, 
eu não casei, nem tive filhos, nem um trabalho convencional, 
mas fiz e segui tudo aquilo que eu acreditava, e me reinventei a cada passo!
não existe segredo pra ser feliz, e nem uma fórmula secreta, 
é simples, e todos nós temos direito a essa felicidade.
aceitem tudo que tiverem, vivam o papel que foi destinado a vocês,
assumam seu personagem e fiquem amigos do autor
e do diretor dessa trama mais que escapinesca.
que não haja cortejo, nem ultimas palavras, nem última pá de terra,
pelo amor de deus, vão viver!!!
a vida passa num segundo, e não nos cabe o momento seguinte!
se puderem, façam como os funerais americanos,
festejem a morte como parte invitável da vida, 
não usem preto, eu quero cores, quero som, quero boas lembranças de tudo que vivemos.
que Deus me conceda o privilégio de ser recebido pelos meus avós, 
por joão barbalho e por tia vera na porta do paraiso, 
que o anjo mais lindo, com as asas pintadas por minha avó maria
me leve pra voar sobre um jardim com flores cultivadas por vovó tiva.
e dessa inevitável jornada, a qual cada um de nós, no seu devido momento seguirá.
 é preciso entendermos, antes de partirmos
que nascemos e morremos, todos os dias, ao dormir e ao acordar.


maurício backer spinelli . antes da última cirurgia.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

.digo.




do que pensei ter sido amor, sobraram as ultimas palavras perdidas dentro de um livro,
 teu cheiro ainda percorre meu travesseiro,
e em alguns dias acordo contigo deitado no meu peito, 
sinto teu peso, teu calor, e teu sorriso acaba tomando conta do meu quarto.
ficaram algumas perguntas sem respostas, alguns beijos perdidos no vazio, 
meus olhos a buscar qualquer sinal do que tenha sido luz, 
algum barulho que seja, de quando nos amamos pela primeira vez. 
algumas músicas perderam sim o sentido, 
exatamente nove e meia semanas de amor, de um amor que tornou-se banal.
de um desamor sem igual.



maurício backer spinelli.  

.da retomada da escrita.



ontem completaram dois meses de minha terceira cirurgia, to com a prescrição de um bocado de exames e médicos pra remarcar, senti um certo receio, medo talvez, isso me deixou o dia inteiro acabrunhado, por que a sensação de retroceder me causa um certo desconforto, dormi com a cabeça que mais parecia um turbilhão, cheio de planos pra semana, de coisas ainda não realizadas.

Hoje ao acordar, o primeiro pensamento foi: Medo? medo de que? medo pra que? você será feliz vivendo seja lá o que for. Pronto, isso me encheu de coragem, e tudo ficou mais colorido, me situei na data de hoje, e acabei lembrando do velho amor, por ser hoje seu aniversário, decidi, depois de tantos anos, não mais telefonar, mesmo sabendo, que ele fará sempre parte de minhas lembranças!

O dia começou com um movimento diferente, to cheio de "vontades", fiz a fisioterapia matinal, comi minhas frutas com granola e resolvi continuar de boca fechada pra perder peso, coloquei "julie and julia" pra terminar de ficar absolutamente ainda mais encantado com Meryl Streep, não posso esquecer também que hoje tenho que terminar de ler " Cartas Portuguesas de Mariana Alcoforado" primeiro exercicio teatral passado por carlinhos.

O aniversário foi marcado, será dia 16 de Maio, no espaço MUDA, juntamente com Priscilla, estou fazendo isso tudo com aquela sensação de recomeço, NADA MAIS É ABSURDO [ principalmente depois dos trinta], esse foi o título que escolhemos, pra juntar os amigos, com a boa música do Rabecado, Dj Moreno, Carlos Ferrera e Naara.

A vida realmente voltou a girar, e com força! Entre riscos e rabiscos vou traçando os novos caminhos, novos trabalhos, novos amores e dessa íncrível vontade de fazer as coisas acontecerem, vem aí o SANTO DE CASA - artes & milagres, ( logo falarei sobre isso). Estou retomando tudo, renovando, reciclando e tentando não deixar essa nova pessoa se perder nas ilusões desse mundo calorento, que calor absurdo é esse?

Nessa semana tem feriado, o sol entra no signo de "taurus", fim do que poderia ter sido um inferno astral, vou marcar jantar de novo, com massas, pra celebrar tantas boas transformações, mais algumas semanas e João Marcello vem ao mundo, essa proximidade de vê-lo pular pra fora da barriga de vévis, me deixa ainda mais encantado com a vida, e com o presente que recebi de Deus, em poder continuar aqui, e viver isso com minha familia, a chegada dele também fortalece a vontade de adotar uma criança, de escolher um pequeno ser pra amar, assim que todas essas questões do meu joelho se resolverem, esse será meu grande projeto de vida; " ser pai", e o melhor, talvez ser um pai solteiro, por que não vou esperar mais por esse amor que insiste em demorar a chegar.

assim mais um dia chega rasgando as horas, sempre com alguma coisa acontecendo, e quando não acontece, eu faço acontecer, busco incansavelmente motivos, razões e almas.Foco nos meus objetivos, quero ir pra frente, e sentir que cresço a cada passo.Exercito a paciencia e a tolerância, vou respeitando o tempo que as coisas precisam pra que tudo aconteça.

maurício backer spinelli, na retomada da escrita pós alta hospitalar! 19.04.2009

domingo, 11 de abril de 2010

.dos pequenos pensamentos.




mais uma vez pedro olhava seu quarto, já vazio de tudo que era dele, 
todas aquelas coisas, aqueles cantos, já sem encantos 
e entulhado de lembranças e de uma vida quase que inteira. 
Naquela manhã o sol não conseguia quebrar toda a escuridão do seu envólucro, 
ele tentou levar tudo que fizesse parecer que na verdade ele nunca tinha ido, 
como quem levasse aquele pedaço de calçada e árvore pra todos os lugares do mundo. 


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foram dias girando em volta de sí mesmo, afinal era apenas uma bolha,
 uma bolha meio desmedida, longe de ser redonda, um tanto achatada,
 de ângular nem a esquina com as fronteiras, 
o azul nunca tão celeste quanto a do céu que o arrancava da cama de manhã, 
tinha uma iluminação diferente e periódica, uma fonte que jorrava sonhos em todos os tons de azul, 
e uma barra dessas gigantes, onde depois do alongamento, 
todos eram conduzidos pra muito além daquela figura geometricamente equivocada.



maurício backer spinelli . sobre a bolha azul

segunda-feira, 5 de abril de 2010

.dos limites.



aos poucos redescubro meus movimentos, eles mudaram, eu mudei.
os dias passam, levando embora medos, realidades e uma pá de outras coisas.
sinto dedos, músculos, tecidos e o ranger do espaçador.
a perna ainda não pisa. terminantemente proibida de tocar o chão, não desisto!
obrigatoriamente, uma parte em mim, ou melhor duas, não habitam o tocável.
perdi em parte a referência do plano, do concreto, do palpável.

vou vencendo os limites do corpo, juntamente com os da alma.
liberto-a nas horas de relaxamento, vôo tão longe que penso ter asas.
aprendendo a sentir diferente e buscar outros caminhos.
dou duas voltas ao redor do posto de enfermagem com cara de descobridor do mundo.
chego esbaforido de volta à bolha, ofegante e trêmulo, buscando o descanso.
a respiração agora é pensada, colocada e encaixada.

me dei o direito de recusar os remédios pra dor, ao menos esta semana.
superei o limite do "brace". agora ele repousa encostado fora da perna.
recupero com o passar dos dias minha indepêndencia, já vou só ao banheiro.
"ando-flutuo" por dentro d´água, encontrando o equílibrio sem derrapar.
é proibido cair, dançar rebolation, dar pernada e ter "os pés no chão".
entre movimentos isométricos e pensamentos hérméticos, reconstruo.

agora, o meu limite sou eu mesmo. finalmente dei de cara com o pior dos inimigos.
ao primeiro raiar do sol, mais um duelo. tentarei novamente surpreender-me!


por maurício backer spinelli.

[em seu trigésimo terceiro dia de internamento, no Memorial São José no apt. 254]

.da cura da alma.

Se nosso corpo adoece, é que algo na nossa vida não está tão bem, a doença começa na alma, no coração, na mente, o corpo é o último sinal e muitas vezes o mais evidente de que algo realmente precisa ser mudado! A doença é uma chance que a vida nos dar de auto-avaliação, é um tempo dentro do tempo, e é preciso ter coragem e determinação pra verter o rumo das coisas. Crescer dói, encarar os erros e medos é algo muitas vezes monstruoso, porém é o primeiro passo pra cura, se o problema começa na alma, a cura também tem ínicio nela, e fé é nossa maior arma, nosso grande porto seguro.

maurício backer spinelli.